M que família entre famílias!

Quantos dias alusivos a família tem o seu país?


Na terra que já foi de todos mas que se transformou no paraíso de alguns, os que fazem parte do TODOS aproveitam o dia internacional da família para lamentar a destruição da maior razão de estarmos juntos e formarmos a nação. 

A parte que exulta com a arrecadação à força do bem comum em proveito próprio, remeteu para o dia 25 de dezembro de todos os anos, o dia da família reduzida, o da família subjugante, isso claro, muito antes do casamento entre o Grupo Sufocante e os seguidores do Cristo caucasiano (dizem que há outros).


 Os segredos dos acontecimentos no quarto do casal pelo poder não foram revelados mas há indícios do parto: pavões, cães polícia, famílias desagregadas, porrada a cassetete e milagres. Todos os dias há milagres no país da revolução estrangulada, sob os aplausos dos foliões do bem untado clero e da rasca nobreza.


TODOS lamenta que a família não seja mais como antigamente, em que vizinho era irmão e todos os irmãos queriam saber dos irmãos cambuta e demais fraternidades instaladas por força da irracionalidade colonial.


A irracionalidade do TODOS permitiu o crescimento dos irmãos cambuta e a eliminação nunca sub-reptícia e quase sempre violenta demais para as outras fraternidades.


A família que era tratada como se FOSSEM bois passou a ser tratadas como bovinos e caprinos de facto, a paulada e à dentada dos mesmos cães polícia que continuaram a morder pretos tal como no tempo da primeira irracionalidade. 


Pior, a família passou a ter direito a faca e garfo unicamente para arrancar bocados entre as costelas do pai, da mãe, ou do irmão tombados por não se calarem ou não fazerem parte de um qualquer casulo amarrado com  a mesma corda que estrangulou a revolução (?).


Disse pior? Recentemente a faca e o garfo já não convencem; são espremidos os familiares dos insubmissos que cedo perceberam a farsa do poder popular e logo a seguir os familiares dos jovens que acordaram da letargia de meio século de mentiras, alienação, roubalheira submissão! 


Há quarenta anos, quando fui espancado pela primeira vez pela nova subjugação sentenciaram: este filho da puta (não pouparam nos elogios a minha nobre progenitora) tem que ser na cara! E assim aconteceu; foi na cara e foi na alma.


No dia internacional da família, eu, do TODOS, preocupo-me com os familiares do Gansta, Inocêncio de Matos, Kamulinge, Ngalangombe, Adão da Silva, Ricardo de Meio, Mfulumpinga Victor e, olhando por toda a procissão de vítimas, o último gemido: o gemido de Jorge Eurico pela perseguição aos seus familiares tal como eu próprio já previra.


Evocando outros tempos do clero, entretanto ainda não tão bem besuntado, recordo-me da voz poderosa de quem afirmou o seguinte: este país está amaldiçoado!


Imagino que a eminência em causa não esteja mais em condições de servir seja o cristo caucasiano ou o etíope com a mesma garra, pois, como ressaltou Shakespeare, todo o mundo tem a sua vez e voz no palco. Chegou a vez e voz de outros!


Laurindo Neto-Angola (2023/M/15)

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