Pedagogia para alguns

 Pedagogia para alguns

Laurindo Neto



Em Pedagogia 1 afirmei que as duas áreas mais  unanimamente detestadas pelos discentes eram a

Matemática e a Filosofia. Quais as razões desse amor e ódio?


1. Incapacidade de transmissão da matéria.

Os escolhidos para o exercício dessa nobre missão a que chamanos ensino, muito raramente preenchem os requisitos devidos. Como podemos entender um professor que balbuceia ao invés de comunicar com propriedade e pretende transmitir algo que nem ele mesmo domina, desde a simplicacão da origem do pensamento à complexidade do uso disciplinar? 


A matemática, uma disciplina preenchida por convenções e símbolos, tem como bitola a luz (conhecimento) e a exactidão, ao contrário das opções das tribos políticas que oscilam entre o dividir e o diminuir. Dividir as populações e diminui-las no quesito auto estima, arma fatal  contra a subjugação.


Quem é  o seu professor e, pior do que isso, quem o avaliou?


Para perceber a essência da matemática necessita obrigatoriamente de entender a natureza sofista que deu origem a filosofia. O que é o tempo? questionou esta!


A ciência, mesmo sem responder de imediato, cronometrou e gerou fórmulas de interpretação e uso do tempo. A matemática é filha da filosofia e esta a mãe das ciências. Pensar na filosofia como ciência é dar razão aos espíritos dominadores que aconselham a esconder num livro o que gera inquietude aos povos de baixa percepção. Não entende isto? Deixa estar que eu te entendo.

 

2. Desmotivação social. Falei também de desmotivação social. Em angola e não só (mas também) é frustrante o que é oferecido aos amantes do conhecimento e da integridade. Gestos e linguagens do domínio público na nossa selva,  é o "Lexus Máximo para quem é corrupto e Cesta Minima (básica) para quem a nega.


Vive bem aquele que concorda com a subjugação e sobrevive miseravelmente todos os que criam empecilhos ao desenvolvimento da brutalidade governamental; desta e da sua imbeciidade. 


Um membro júnior da minha família questionou-me certo dia e vez de dizer asneiras: 


"Porque te armas em sabedor quando não encostas no Bento Kangamba?"


Tive de usar este exemplo interno para demonstrar o quanto é nocivo para uma nação que os seus idiotas estejam na liderança. Precavendo, estar na liderança não é o mesmo que liderar. A liderança é o usufruto de um cargo que obriga a prosseguir fins exitosos mesmo que nem sempre justos. Entender a liderança só é possível a partir da filosofia que, penetrando no âmago do poder, entendeu-o como uma ferramenta para a realização do bem comum. As mentes aversas ao exercício filosófico, acreditam que o poder é aquela máquina que possibilita a eliminação e a extinção da concorrência. "Hoje matei mais um" é o resultado da negação à reflexão e ao conhecimento.


Pretender que numa sociedade assim, haja amor e culto pelas causas profundas é desejar que os cães governem a terra pelo seu carácter subserviente.


3. A ausência de formação de base, também deduzida por mim, é o mais suculento triunfo dos imbecis. Atribuindo aos analfabetos funcionais, distintivos como, generais, juízes, comissários, governadores e por aí, consegue-se a eliminação da concorrência, ao mesmo tempo que o povo "aprende" que o lixo e o ruído são culturais.


Alguns, na zona do pensamento, afirmam que a gritante diferenca entre racionais e irracionais está no facto de estes não permitirem que o mais idiota entre os seus seja o líder da matilha. Não sei, pode ser cultural.


2021-Nov-14

Laurindo Neto

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