Angola entre escribas e escolhos
"Lourenço e Dos Santos precisam um do outro
O regresso do antigo Presidente a Angola abre caminho a uma reconciliação com o seu sucessor. Não vai ser fácil, mas tanto João Lourenço como José Eduardo dos Santos, por razões diferentes, precisam de selar os termos de um entendimento".
Jornal de Negócios
O que repassei acima, faz parte de um menu de envenenamento sofrivelmente articulado, maldosamente esboçado e terrivelmente enganador em associação àquele que dá conta de que o regresso de JES à terra que abandonou sem uma vénia aos militares que tanto corrompeu e às famílias que conspurcou, não deveria ser interpretado como o regresso do triunfante general romano.
Nada mais confuso neste tabuleiro que envolve um general de tropas mal encaminhado na política e um general comerciante bem introduzido na arte do logro e em que, a venda de gato por lebre é a sua maior especialidade.
Recuo nas minhas posições enquanto opositor e contestatário ao regime sufocante do MPLA? Nada disso!
Apenas pelo facto de estarmos em rota de cruzeiro conflitante e sujeitos a abalroar o bem mais querido da nossa existência enquanto nação: o Estado angolano, a democracia e a harmonia nacional, todos em absoluta falência por destruição do general comerciante e falta de visão estratégica do general de trincheira.
Não é verdade que o general JMGL precise de concertar com o comerciante JES, mesmo sob o ângulo estritamente partidário. O candidato a reformista, se não sabe, devia saber que no país político de sua opção, o passado é passado e que o Xi não depende de Mao. Precisa de saber (se não sabe) que o seu maior e mais grave problema, consiste internamente numa fraca ruptura com Mao e simultâneamente numa ausência de compromisso consigo mesmo.
Ainda sem programa concreto, a União Europeia saudou-o de pé e o ex-colonizador mergulhou nas nossas águas convidando a lavagem da "roupa suja". Contudo o descomprometimento levou-o a ignorar esses sinais. Porquê?
Em um dos seus parcos comunicados com pendor político, o general comerciante e promotor das trevas afirmou:
"O modelo que serve para Angola é o que vigora na Rússia". Sabemos que não era modelo algum, mas simplesmente um lance de oportunidade do grande mestre da política internacional Vladimir Putin, levando os russos a crer numa alternância de poder com Medvedev. Os resultados são conhecidos: O turco imberbe foi escorraçado depois de aquecer o lugar para o Karpov do Kremlin e gerar as condições para uma continuidade sem limites. Deseja o General João Manuel Gonçalves Lourenço dar razão ao seu promotor nessa casca de banana política?
A humilhação pública do presidente de um partido ao "eleito" chefe de Estado e Comandante-em-chefe das forças armadas foi um requinte de malvadez cometido contra um membro do seu próprio partido, que, na óptica do vendedor de banha da cobra, seria apenas o seu Medvedev.
Numa das suas últimas intervenções, o general de tropas aludiu que havia manobras não provenientes da oposição, significando essas palavras que poderia ser tudo menos um comandante distraído e que se embrenhava pela mata adentro sem olhar para trás.
Aquela reflexão pode significar que tinha noção quanto ao general romano em regresso triunfante e comandando as tropas para uma última arremetida sob o apoio "desinteressado" dos escribas de oportunidade.
Deseja o senhor general mais uma fraude eleitoral? Continue esbanjando com Photo-Op! Quer retomar a figura do reformador? Reveja a cartilha sem se esquecer do tratamento devido às ervas daninhas; desista do fato à medida do destruidor da nação e concorra!
2021-Set-30
Laurindo Neto


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