Camera Woman


 "Camera woman" (uma feliz tirada da Rádio 5).

Gostei mesmo dessa demonstração de criatividade nada associável as palavras de ordem típicas do fundamentalismo comunista. Gostei e quase apagou àquela memória em que um dos vossos "comissários-do- povo" se ufanava feliz com o tempo em que se podia largar "bofas" sobre os filhos alheios, sem haver as incómodas consequências do ambiente democrático. Sinais dos tempos ou mero acidente de retórica, gostei mesmo. 

Sabem porque razão Yashine nunca foi campeão mundial? Eu também não, mas quase tenho a certeza que o motivo principal foi que ele tivesse que apanhar as bolas em função das recomendações do Cda. Comissario-do-povo em obediência às sábias recomendações de um outro sábio qualquer da "máquina" igualitária. Parabéns pois Rádio 5, só espero que nenhum Camarada se "malquiste" convosco pela criatividade ou pelo reconhecimento fora do muro do Katamborim.

En passant...

Não percebi bem a ideia do Puto do ano: atleta precisa de ser tratado como desportista, guarda-redes, defesa (beque/back), ponta de lança, lançador, hoquista enfim, estas coisas em que sois bons, mesmo no caso dàqueles que falam sob ordens superiores e, claro está, sem consequências no desleixo ou abuso verbal.

A personalidade dos seres humanos forja-se deste a tenra idade: ao ensinarmos uma criança a pronunciar "num gosto" "num pêta" "puka di quê", ou mesmo a horrível palavra candongueiro, esta pequena vítima que aprende com quem devia aprender, atravessará pelo menos oito anos da sua vida sob esse desvio de crescimento intelectual, até que, SE CALHAR, reaprenda  outras palavras como, não gosto, não presta, por causa de quê... Táxi.

Eu sei que vocês sabem que muitos nunca chegarão a corrigir.

Um puto  (bonita expressão lusófona) é um mindinho sem responsabilidades e apenas cheio de graça. Um atleta de competição dispensa a graça mas tem de assumir responsabilidades e isso desde os primeiros momentos da formação da sua personalidade.

Fazemos o contrário em quase todo o espaço lusófono: apelidamos "Mister" em vez de treinador, uma clara sedução estatutária, pois que, "Mr" é britânico, logo charmoso. Que tal? 

Contudo, em ambiente democrático em que desejariam assobiar muitos de nós (apesar de nos ter sido imposto), é apenas um apelo. Fazei o que o Katamborim decidir sob o princípio em que o patrão é quem manda!

Vosso compatriota, mesmo fora do ambiente de trabalho,

Laurindo Neto (Angola) 

2021.Jl.29


Em baixo: Um puto.

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